Poesia:

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TANGO...

Leva-me no teu braço aconchegante
Pela trilha formada de teu desejo
Com o toque de tua mão, minha alada serpente
Dança tomada por teu feitiço

E a música de tu´alma...
Tácita a embalar meu peito
Vai compondo sucintamente a saga
De nosso universo transformado

Leva-me no teu braço aconchegante,
Encenando o puro ato de amor
Sou a própria entrega clamante
De seu ardente corpo, de seu frescor

Em cada passo, marco da sintonia
A expressão do prazer do uno dual
Enquanto a perna se entremeia
Leva-me no teu braço sem igual

Toca minha pele e este tango
Que me faz sentir a flama da sedução
Indica-me o caminho pelo olho
O caminho terno e seguro da emoção

Leva-me em teu braço aconchegante...

QUANDO

"Quando meu corpo perecer e aqueles que me conheceram houverem me esquecido
Quando a ampulheta perder seu sentido para mim
e a humanidade não significar mais meu desagrado
Todo meu ser será elevado e abençoado
A dor não será tão impiedosa e o meu perdão
será derramado sobre aqueles que me arrancaram
dos dias de glória
Eu poderei cantar, sorrir e dançar como
nos tempos de menina
Poderei amar sem medo, sonhar encerrada na inocência
E voar, voar tão alto como sempre desejei
Tudo o que não possuía sentido , desvanecerá
diante de meus olhos
Reencontrarei aqueles que tanto sinto falta
Sentirei descanso após uma longa jornada
Os meus dias serão prósperos,
Minhas palavras serão compreendidas,
Meus gestos serão consagrados
Quando este momento chegar talvez
eu não recorde deste poema
Talvez eu nem creia como hoje
Talvez esse dia não chegue..."

FADO

''Por muitos caminhos trilhei meu fado
Em muitos braços despojei meu ser
Muitas vidas mudei, muitos sentimentos transformei
Muitos amei... e não os deixei de amar
Eu, que vivo num mundo repleto de máscaras e conquistas
Tenho buscado o melhor por trás de cada uma delas
Não anseio nenhum Deus, nenhum objeto perdido
Quero viver sem dramatizar nenhum fato
Poder sentir sem questionar; ser sem porquês...
Danço os suspiros de minha alma
Bordo em folhas de papel palavras cravadas em minha mente
Escondo o prazer de ajudar ao próximo
Merecendo o rótulo de altruísta
Vivo, amo, manifesto minha arte
Numa intensa busca de entender a humanidade...
Entender inclusive eu mesma!
Percebo que viver é uma das artes mais difíceis
Das quais me deparei ao chegar no mundo
Por isso que amo tanto esta arte: é um desafio
Que me move sempre à frente
Cabe a nós estabelecer os limites nos relacionamentos
Ser um artista sobre o palco independente dos acessórios
Não arrepender-se de absolutamente nada
Entendendo as atitudes alheias sem mágoas
Já que cada um dá o melhor de si..."

PRECE

Dançar é minha prece mais pura
Momento em que meu corpo vislumbra o divino, 
Em que meus pés tocam o real 
Religiosidade despida de exageros
Desejo lascivo, bordado de plenitude 
Através de meus movimentos posso chegar ao inalcançável 
Posso sentir por todos os corpos, abraçar com todo o coração 
E amar com os olhos 
Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito 
Pairando no ar, compreensão e admiração 
Iniciar uma prece é como abrir uma porta 
Um convite à você, para entrar em meu universo 
O mágico contorna minha silhueta ao mesmo tempo 
Que lhe toco sem tocar Nada à observar, só à participar 
Esta prece ausente de palavras 
É codificada pela alma 
E faz-nos interagir de maneira sublime e hipnótica 
Quando eu terminar esta dança 
Estarei certa de que não seremos os mesmos

RUBRO E AZUL

Você me despiu de todos os véus e cobriu-me com seu amor

Silenciou meus medos com o frescor emanado de sua pele

Acalantou, segurando-me docemente entre os braços

E mesmo de olhos cerrados, podia ver seu sorriso sereno

Em meu interior, a certeza de ter encontrado o que sempre quis

Desarmada, indefesa eu te mirava com olhos tristes

 

Tocada pela brisa da possibilidade de perdê-lo

Ah, mas quando você me beijava, eu esquecia de tudo

Eu não precisava então de mais nada

Meus movimentos desenhavam no ar a segurança vinda do que me ensinara

Eu me sentia ausente e ao mesmo tempo viva

Se você não está, meu mundo desaba, a maciez do tecido parece-me áspera

Perco os sentidos e canso de clamar por paciência

Inconformada, não vejo razão de amá-lo... se não está aqui!

Ninguém me arranca uma expressão mais amena

Porque tudo que mais quero, não está perto de mim

Nestes dias, desfaleço-me aos poucos

O ar queima meu corpo

Não há chances de enxergar a beleza onde não te vejo

Um vicio estarrecido

Minha alma empobrecida sem seu alimento

Surpreendo-me enlouquecida a chamar seu nome

Por trás de cada véu, uma história

O azul...

Desejo de recomeço

Esperanças tingidas de cores contrastantes

Eu sozinha, recoberta

Procuro entender o que nos tornou assim

O medo da entrega

A vontade de aceitação

A imaturidade dispensável

A impossibilidade de agir e sentir verdadeiramente

Ai, se eu pudesse beber novamente do vinho rubro

Resgataria em cada gota nossas defesas e formas de conquistas

Eu dançaria com todas as forças a mais bela melodia

...Se você estivesse aqui

Eu com meus véus. Você com suas máscaras

Desta vez eu aceitaria suas imperfeições

Eu não me trairia mais

Agora, recostada, penso... - Sinto sua falta


MERIT ATON

 


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